16/06/2015

O quanto as pessoas se enganam facilmente com pesquisas científicas?


Recentemente, um estudo sobre chocolate pareceu dar esperanças a muitas pessoas: divulgado em abril de 2015, na revista científica "International Archives of Medicine", o estudo dizia que comer chocolate aumentava muito as chances de emagracer durante uma dieta.
A pesquisa, no entanto, era falsa.
Fez parte de um experimento do jornalista John Bohannon que queria mostrar o quanto as pessoas se enganam facilmente com pesquisas científicas - e as reproduzem com facilidade não só na internet, mas em sua própria saúde.
A história do experimento foi contada em um blog. A polêmica pode reaperecer agora com a divulgação de um novo estudo - mas que, desta vez, é sério mesmo.
Pesquisadores da Universidade de Aberdeen, na Escócia, apontam que comer cerca de duas barras pequenas de chocolate por dia ajuda a reduzir os riscos de um ataque do coração ou de derrame. O estudo foi publicado na revista Heart.  
Os pesquisadores compararam pessoas que não comem nenhum chocolate com aquelas que consumiam uma quantia aceitável. O segundo grupo apresentou 9% menos de chances de morrer de uma doença cardíaca e 23% menos chance de ter um acidente vascular cerebral.
 A pesquisa sugere que a quantidade ideal de chocolate por dia seria 100 gramas. No Brasil, as barras convencionais costumam vir em embalagens de 150 g. 
O estudo analisou 21 mil adultos por 12 anos que participam de um grande estudo de análise do impacto de uma dieta na saúde que inclui 25 mil homens e mulheres em Norfolk, condado inglês.
Cerca de um em cada cinco participantes disseram que não comem chocolate, mas entre os que ingerem, o consumo médio diário varia de 7g até 100g . Segundo o professor de medicina Phyio Myint, da Universidade de Aberdeen, há evidências significativas de que uma ingestão maior de chocolate está sim associado a um menor risco de desenvolver problemas cardiovasculares. 
Isso não quer dizer que é hora de mudar a dieta e incluir todos os chocolates. Os pesquisadores mostram que o segundo grupo, que consumia chocolate tinha um perfil mais específico: a maioria tendia a ser mais jovem, ter um peso menor,  pressão arterial baixa e menos propensa a ter diabetes e mais propensa a realizar atividade física regularmente.
Tudo isso, segundo os pesquisadores, também ajuda a diminuir riscos de uma doenças cardiovasculares
Comer mais chocolate também foi associado com maior consumo de energia e uma dieta contendo mais gordura e carboidratos e menos proteínas e álcool.
Os autores do estudo apontaram que o chocolate amargo é mais benéfico do que o chocolate ao leite.
É sempre necessário muito cuidado com pesquisas ditas "científicas", porém tendenciosas.
Se você é uma pessoa com baixo peso, que faz exercícios físicos regularmente, não tem problemas com colesterol, não tem tendência a desenvolver diabetes, tem sua Pressão Arterial baixa e, além de tudo, é jovem, não precisa se preocupar com chocolate. Não é o chocolate que vai lhe fazer mal, mas se você não se encaixa neste perfil, melhor ter cuidado.

Adaptado de: Época Negócios